Histórias de Pacientes Marcos
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“Em meados de maio de 2017, passei por vários exames diariamente e aquele que me deixou mais apreensivo, vamos dizer assim, foi realizar a biópsia da medula, onde é coletado fragmentos de ossos do quadril. Fui diagnosticado com mieloma múltiplo (Câncer dos plasmócitos da medula óssea), onde após receber essa notícia fiquei totalmente desesperado. Ao questionar o meu médico, Dr. Garles Miller, Oncologista do Hospital A. C Camargo Câncer Center, sobre a possibilidade de não realizar o transplante de medula óssea, qual seria as minhas chances? O mesmo informou que dentro de dois anos, eu estaria de cadeira de rodas, com problemas renais sério e provavelmente não sobreviveria muito tempo. Na verdade, tudo começou com uma dor forte no quadril e não conseguia carregar a mochila de trabalho. Essa não aceitação do diagnóstico e a informação de que eu passaria por um rigoroso tratamento, com internação de mais ou menos 20 dias, me fez com que eu tivesse um surto psicótico. Eu ouvia muitas vozes, sentia que estava sendo perseguido o tempo todo e não conseguia fazer nada corretamente, estava com depressão e ansiedade. Quando eu ia ao mercado com a minha esposa, achava que todos estavam falando de mim e me olhando o tempo todo. Eu não aceitava a visita de ninguém em casa, pois não sabia qual seria o meu comportamento diante de pessoas que sempre fizeram parte da minha vida. Fiquei com esse quadro clínico por 30 dias, onde não deixava a minha esposa e meu filho dormirem direito. Sabia que eles só queriam o meu bem e me ajudavam muito nesse período.Diante do quadro em que eu me encontrava, fui atendido por um psiquiatra do próprio Hospital A.C Camargo (Dr. Lucas), pois na situação que estava não era possível realizar o transplante de medula. Então o Dr. Garles adiou a internação até que eu me recuperasse da depressão e ansiedade.Com a ajuda do psiquiatra e uma psicóloga consegui melhorar e então pude ser internado para a realização do autotransplante, em novembro de 2017. A internação durou exatamente 20 dias, onde a minha esposa esteve o tempo todo comigo em um quarto isolado. Recebi 55 bolsas de plaquetas, vários remédios diariamente através de um cateter colocado no pescoço, fiquei praticamente uma semana só dormindo, devido ao efeito da quimioterapia e outros medicamentos. A minha internação e a recepção pelos funcionários foram muito importantes, para a minha estabilidade e recuperação. Confesso que nunca fui tão bem atendido em toda a minha vida, onde os funcionários desde a faxina até enfermeiros e médicos eram muito atenciosos e sempre estavam sorrindo e otimistas o tempo todo. Hoje posso confessar que a minha situação era nada diante do quadro em que presenciei de várias pessoas internadas no AC Camargo. Estou com oito meses que realizei o transplante e me encontro muito bem graças a Deus e aos competentes médicos que cuidaram de mim. Portanto posso para aqueles que passam pelo mesmo câncer que eu tive, que não se desespere e leve o tratamento como um aprendizado, porque cabelo, barba crescem novamente muito rápido, e os quilos perdidos, você recupera. Gostaria muito de agradecer a todos que de uma forma ou de outra, rezaram e torceram pela minha recuperação”.

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