Notícias e Destaques A Ilha Onde as Pessoas Esquecem de Morrer: Será Que Comer “Comida de Verdade” é a Razão?

Na ediçao de 28 de outubro do New York Times Sunday Magazine, Dan Buettner discute “As Zonas Azuis”, lugares do mundo onde um alto percentual inesperado de pessoas vivem mais de 100 anos (ou perto disso). Dan tem um novo livro atualizado sobre esse assunto, mas o foco da reportagem do artigo do New York Times, é a história de um veterano de guerra nascido na Grécia que se mudou para os Estados Unidos e, com pouco mais de 60 anos, desenvolveu câncer de pulmão (presumidamente terminal). Esperando morrer em breve, ele retornou à sua ilha nativa, Ikaria, uma ilha grega localizada a 30 milhas da costa da Turquia. Agora, 35 anos depois e chegando aos 100 anos de idade, ele está livre do câncer e vivendo uma vida ativa em Ikaria.
 

A questão é por que?
Para obter uma resposta, Dan Buettner se concentra em uma "Zona Azul", que é um conjunto de aldeias no alto das montanhas da província de Nuoro, na Sardenha, que contém a maior concentração de homens com mais de 100 em todo o mundo. Ele recrutou uma equipe de especialistas, incluindo o Dr. Gianni Pes (Universidade de Sassari, Itália) e Dr. Michel Poulain, um demógrafo belga, para ajudar a avaliar e validar se os residentes da  "Zona Azul" estão realmente vivendo mais do que o esperado e por quê. Assim, é possível comparar e contrastar a dieta e o estilo de vida dos moradores de Ikaria, incluindo Stamatis Moraitis, o sobrevivente de câncer ha muitos anos, com centenários da Sardenha e as outras regiões "Zona Azul".
Uma característica fundamental em comum são as variações locais da "Dieta Mediterrânia". Os moradores de Ikaria bebem um "chá da montanha" popular feito de ervas secas, como manjerona, sálvia, hortelã (fliskouni), alecrim e dente de leão. O mel é amplamente utilizado, e os idosos começam o dia com uma colher de mel.
O menu em Ikaria inclui leite de cabra, de dois a quatro copos de vinho tinto por dia, lentilhas, grão de-bico, batatas, erva-doce e legumes da época do jardim. Moradores também desfrutam de peixe três vezes por semana e pequenas porções de carne de porco criado pela família. Há uso generoso de azeite com as refeições, além de pão azedo local, feito com trigo triturado na pedra.
Então, aí está: "Comida Mediterrânea de Verdade", mas há também o que eles não comem! Muito pouco açúcar refinado e farinha branca; sem refrigerantes. Tudo isso é extremamente parecido com a "Comida de Verdade", abordagem que estamos discutindo nas últimas semanas.
Perguntado por que ela viveu mais de 90 anos, uma senhora de Ikaria disse que era o ar limpo e o vinho. Uma mulher de 101 anos de idade, apenas deu de ombros e disse: "Nós simplesmente esquecemos de morrer."
Pode haver muito de verdade nisso. Os moradores da ilha não controlam o tempo (não há relógios), trabalham em seus jardins, socializam, bebem vinho, tiram cochilos e são felizes ao acordar a cada dia. Assim, embora a comida seja, sem dúvida, importante, o impacto do estilo de uma vida inteira não pode ser ignorado.
Eu tenho a impressão de que correr para a academia comendo uma barra de cereais não vai replicar a vida longa como em Ikaria, não importa o quanto de "Comida de Verdade" nós adicionamos à nossa dieta. Nós precisamos de mudanças de estilo de vida de verdade, além de todos os esforços para comer da melhor forma que pudermos!

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