Notícias e Destaques ASH 2012 – PANORAMA GERAL, POR DR. MORIE GERTZ.

Esse texto foi transcrito e traduzido em sua integra. É uma apresentação em primeira pessoa realizada pelo Dr. Morie Gertz, Chefe do Departamento de Medicina na Mayo Clinic, durante o ASH 2012 (Congresso Americano de Hematologia) realizado de 08 a 11 de dezembro, em Atlanta. Para acessar o vídeo, clique aqui.

“Olá, sou Morie Gertz, Chefe do Departamento de Medicina na Mayo Clinic.
Tenho participado do congresso anual da American Society of Hematology, e estou realmente impressionado com os avanços feitos em um período de apenas 12 meses.
Há várias apresentações específicas que considero avanços na área, que valem a pena serem comentadas.
O Grupo Italiano de Estudo do Mieloma Múltiplo fez um estudo com pacientes não elegíveis ao transplante, comparando quarto medicamentos - Bortezomibe, Talidomida, Melfalano e Prednisona –  com três medicamentos, e descobriu uma melhora na sobrevida global no grupo tratado com quatro medicamentos. Esta é uma descoberta nova e importante, da qual não estávamos cientes anteriormente.
Estamos vendo novos usos da nova droga recém aprovada, Carfilzomibe. Em estudos, Carfilzomibe foi agora combinada com ciclofosfamida e dexametasona em pacientes recentemente diagnosticados e elegíveis ao transplante. Carfilzomibe também tem sido combinado com a talidomida e dexametasona em um estudo  muito grande, realizado pelo Grupo Holandês, que  demonstra taxas de resposta muito profundas, sem excesso de toxicidade.
Carfilzomib também foi combinado com a nova droga pomalidomida e dexametasona, para pacientes com Mieloma Múltiplo, que foram pesadamente pré-tratados e mostrou a capacidade de produzir respostas clínicas significativas.
O anticorpo monoclonal Elotuzumabe, um anticorpo contra a proteína de membrana anti CS1, encontrado em todas as células de mieloma, está sendo combinado com agentes quimioterápicos como bortezomibe e lenalidomida, e demonstrou ter uma atividade muito elevada.
Outra vista no tratamento do Mieloma Múltiplo, é a introdução de um novo anticorpo monoclonal que ataca a proteína CD38, encontrada na superfície das células de Mieloma Múltiplo. Este é um estudo muito preliminar, que é predominantemente envolvido na determinação da dose eficaz e segura, mas este agente parece ter uma atividade significativa e, sendo um agente não-quimioterápico, tem o potencial para ser combinado  aos novos  agentes eficazes sobre os quais aprendemos tanto nestes últimos 12 meses. A terapia de anticorpo está sendo cada vez mais explorada no tratamento de Mieloma Múltiplo.
Daratumumab, um anticorpo monoclonal que ataca a proteína CD38 encontrada na superfície de todas as células de Mieloma Múltiplo, foi  determinado  seguro em um estudo de escalonamento de dose e parece ter atividade no Mieloma Múltiplo. Isto sugere que ele vá ser combinado com segurança às combinações quimioterápicas já ativas, para melhorar a profundidade de resposta, a duração da resposta e, em última análise, à sobrevida dos pacientes com Mieloma Múltiplo.
Um Estudo (Paper) que envolveu a participação de centros de Mieloma Múltiplo em todo os Estados Unidos, examinou o impacto da terapia de indução antes do transplante de células tronco. Este artigo importante indicou que mesmo que haja uma resposta sub-ótima à terapia de indução antes do transplante, o transplante proporciona um benefício significativo para estes pacientes, e que o transplante não precisa ser adiado para que se tente um novo regime de indução.
É muito inspirador quando percebemos que os agentes que acabam de ser aprovados há 3 ou 4 meses, já estão em fase de testes com múltiplas combinações que melhoram ainda mais a sua eficácia.
É muito tranquilizador perceber que o transplante de células-tronco tem um papel potencial para uma parte dos pacientes com Mieloma Múltiplo. E é muito excitante aprender sobre dois novos anticorpos monoclonais, potencialmente tratamentos não-quimioterápicos para o Mieloma Múltiplo, que quando combinado com regimes não-efetivos de quimioterapia, melhoram ainda mais o resultado.
A duração da resposta e da sobrevida de pacientes com Mieloma Múltiplo, que quadruplicou desde que eu comecei a praticar, vai continuar a melhorar ao longo do tempo, transformando o Mieloma Múltiplo em uma doença crônica.”
 

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