Notícias e Destaques Dia Mundial do Enfermeiro: Enfermeira Cristina

Sou enfermeira oncológica há 21 anos. No início quase desisti! Não conseguia evitar um envolvimento emocional! Por ser um tratamento longo, o contato com o paciente é frequente, e o paciente passa a confiar na enfermeira e expõe suas ansiedades, angústias, inseguranças e medos.  

Como o profissional pode evitar esse envolvimento emocional? Não tem como evitar sentimentos de tristeza e impotência frente à situações como progressão,  recidiva da doença e morte. Durante esses anos aprendi a lidar com estes sentimentos e tirar de cada experiência um aprendizado para minha vida pessoal. Mudei alguns valores com relação às pessoas, à vida e à morte. Aprendi que ser enfermeira não é apenas ter conhecimento técnico  e científico… é cuidar, acolher, ouvir, respeitar os sentimentos dos pacientes e familiares. É cuidar como você gostaria de ser cuidado. Muitas vezes me sinto impotente frente algumas situações, mas sei que dei o " meu melhor". Ouvir os " desabafos", tocar, olhar nos olhos, dar atenção e estar disponível, ajuda muito no tratamento do paciente e no amadurecimento do profissional.

Concluindo,para ser um enfermeiro  na oncologia não basta apenas ser profissional, tem que ter auto conhecimento e humanizar suas atividades. Obrigada pela oportunidade de expor minha experiência e meus sentimentos.  Para mim a enfermagem oncológica é a área onde o profissional mais cresce emocional e espiritualmente.

 

Cristina Pires

Enfermeira da Clínica São Germano, com experiência de quase 20 anos como enfermeira.