Notícias e Destaques Mieloma Múltiplo: Cada Dia Conta

Com esse tema, a International Myeloma Foundation Latin America lança campanha nacional de conscientização sobre o segundo câncer de sangue mais frequente no mundo

Ele não costuma ser fulminante, nem causar emagrecimento rápido e dores insuportáveis. Em vez disso, instala-se de maneira insidiosa, com sintomas quase banais, que podem desviar a investigação do médico para uma ampla gama de distúrbios. Essa dificuldade no diagnóstico precoce acaba sendo, na verdade, um dos maiores riscos no Mieloma Múltiplo, o segundo câncer de sangue mais frequente no mundo e que atinge milhares de brasileiros hoje.

Devastador para o sistema imunológico, ele atinge a medula óssea, um tecido esponjoso que preenche o centro da maioria dos nossos ossos, afetando a produção dos glóbulos brancos, que fazem a defesa do organismo, e despejando na corrente sanguínea proteínas defeituosas que causam disfunções graves, prejudicando principalmente rins, coluna e sistema nervoso.

Os primeiros sinais do Mieloma Múltiplo podem ser dores nas costas, má circulação, fadiga e lesões ósseas. Gradualmente, surgem sintomas mais graves, como desidratação, problemas renais, infecções recorrentes, anemia, hipercalcemia (excesso de cálcio no sangue), alto nível de proteína no sangue e na urina e perda de imunidade.

O diagnóstico é feito por uma combinação de exames de imagem (radiografias, tomografia, ressonância magnética e outros) e sorologias de sangue e de urina. Biópsia da medula e exames de mais complexidade podem entrar em cena para confirmar as suspeitas e, se for o caso, fornecer detalhes sobre o nível de atividade do Mieloma, subtipo e estágio da doença.

Em alguns casos, o Mieloma pode estar inativo ou ser de evolução muito lenta – o chamado Mieloma Indolente ou Assintomático –, exigindo apenas monitoramento médico, pois não evolui necessariamente para um mieloma ativo. Há exames e marcadores para diferenciar a forma agressiva da doença. Um é o chamado CRAB, sigla que define: C = elevação de cálcio; R = disfunção renal; A = anemia; B = doença óssea (ou lesões osseolíticas).

De maneira geral, o Mieloma evolui devagar e afeta principalmente as áreas em que a medula está ativa no adulto – coluna espinhal, crânio, pelve, caixa torácica e região de ombros e quadris.

A exposição a substâncias químicas tóxicas e à radiação atômica e antecedentes de infecções virais que interfiram no sistema imunológico (como aids, hepatite e herpes) estão associadas a um risco maior de desenvolver o problema. Em poucos casos, há uma tendência familiar, mas a hereditariedade é um fator de baixo risco. O Mieloma se manifesta principalmente entre pessoas a partir de 60 anos e tem maior incidência na população negra.

O estágio da doença e a condição geral do paciente vão determinar o tratamento mais indicado, que pode incluir quimioterapia, radioterapia e até transplante/autotransplante de medula, além dos cuidados com os danos secundários decorrentes. O objetivo é reduzir a degradação óssea e o crescimento tumoral, além de desviar os efeitos negativos das proteínas anormais sobre o organismo. Ainda não há cura para o Mieloma, mas com tratamento adequado e cuidados auxiliares tem sido possível aumentar a expectativa e a qualidade de vida dos pacientes, permitindo que sigam produtivos e plenamente capazes.

Tão importante quanto o acompanhamento médico e as terapias é o conhecimento sobre a doença, pois ele ajuda o paciente a compreender e a conviver melhor com as mudanças necessárias ao seu dia a dia. A International Myeloma Foundation Latin America (IMF LA), com sede no Brasil, oferece suporte de informação e apoio a pacientes e familiares. Um exemplo é o Manual do Paciente da IMF, que traz informações úteis sobre tudo relacionado ao mieloma, desde diagnóstico, opções de tratamento, até terapias de suporte e qualidade de vida.

A mais recente iniciativa da IMF LA é o início, neste mês de julho, da campanha nacional “Mieloma Múltiplo: Cada Dia Conta”, que traz uma série de alertas protagonizados por famosos, em vídeos, fotos e informativos, divulgados em redes sociais, UBSs e outros meios, como cinemas, e culmina com um evento público de esclarecimentos, aberto e gratuito, no dia 29, na capital paulista.

“Essa campanha de alerta é importante para fazer com que o Mieloma Múltiplo seja mais conhecido, tanto pela população em geral, quanto pelos profissionais da saúde”, explica Christine Battistini, presidente e fundadora da IMF LA. Por isso, os artistas brasileiros alertam a todos com mensagens como: “Descobrir cedo é viver melhor”; “Se você não suspeitar, não vai diagnosticar”; “Você tem que ser o 1º a perceber”; “Saiba o que é Mieloma Múltiplo e fique atento aos sintomas”.

 

 

MIELOMA EM NÚMEROS

- 230 mil pessoas fazem tratamento contra o mieloma hoje no mundo

- 30 mil novos casos são esperados nos Estados Unidos a cada ano – no Brasil, são milhares de pacientes, mas não há estatísticas oficiais, e a incidência tem crescido mundialmente

- 70% dos pacientes sentiam dores nas costas de diferentes intensidades

- 60 a 65 anos é a idade média em que o mieloma se manifesta, mas ele está presente com frequência a partir dos 40 anos e já há caso de um menino de 12 anos na Bahia, que foi diagnosticado aos 8 anos de idade.