Notícias e Destaques Pacientes com mieloma múltiplo: Lidando com os efeitos colaterais dos tratamentos

Pacientes com mieloma múltiplo: Lidando com os efeitos colaterais dos tratamentos

Na última década o tratamento do mieloma múltiplo passou por grandes avanços decorrentes do progresso dos estudos citoimunogenéticos, que possibilitaram um conhecimento ainda maior da doença e o desenvolvimento de novas drogas, tanto para o tratamento quanto para medidas de suporte que são significativas para a qualidade de vida dos pacientes.

Dentre as formas de tratamento temos:

- Fármacos antineoplásicos que podem ser administrados isolados ou em combinação, sendo estes:

·         Quimioterápicos: Melfano, Vincristina, Doxorrubicina, Etoposide, Doxorrubicina lipossomal, Ciclofosfamida e Bendamustina;

·         Costicosteróides: Dexametasona, Prednisona, Metilprednisolona;

·         Agentes Imunomoduladores: Talidomida e Lenalidomida;

·         Inibidores de proteassomas: Bortezomibe, Carfilzomibe e Ixazomibe;

·         Anticorpos monoclonais: Daratumumabe e Elotuzumabe;

- Radioterapia que utiliza altas doses de radiação ionizante para tratar de maneira localizada (plasmocitoma solitário) causando destruição das células do tumor, tratar dor, ou compressão da medula. Os efeitos colaterais mais comuns são fadiga e diminuição dos glóbulos brancos e vermelhos

- Transplante de células tronco autólogo é uma modalidade de tratamento comum para pacientes com mieloma. Consiste na substituição de uma medula óssea doente ou deficitária, por células tronco da medula óssea, com objetivo de reconstituição da linhagem sanguínea. Ele acontece com as próprias células do paciente. As células tronco são coletadas, congeladas e armazenadas (criopreservação). Após esse processo, o paciente é submetido a um regime de quimioterapia de altas doses, chamado de condicionamento, com o intuito de eliminar as células doentes. Por isso, após a quimioterapia, as células tronco do paciente previamente coletadas são descongeladas e infundidas no próprio paciente. Os efeitos colaterais são semelhantes, mas em maior intensidade, aos do tratamento com quimioterapia, especialmente em relação à diminuição dos glóbulos brancos e vermelhos.

Os pacientes em tratamento podem apresentar muitos, alguns ou nenhum efeito colateral. Isso vai depender do tipo, da dose recebida e da duração do tratamento. O controle e manejo desses efeitos colaterais influenciam diretamente na qualidade de vida e na adesão ao tratamento. A seguir seguem alguns efeitos colaterais mais comuns do tratamento e seus manejos.

Náusea e Vômito: podem surgir horas ou dias após a aplicação dos medicamentos, ou mesmo acompanhar durante toda a terapia oral. Importante seguir a recomendação médica do uso de medicamentos para combater esse sintoma. Seguem algumas dicas para minimiza-los:

·         Evite cheiros fortes ou desagradáveis. Não permaneça na cozinha durante o preparo dos alimentos, evite uso de perfumes fortes e produtos de limpeza;

·         Dê preferência a alimentos secos como biscoitos e torradas;

·         Evite alimentos fritos, gordurosos, condimentados ou muito doces

·         Procure chupar sorvetes ou picolés de frutas. Congele seu suco de frutas favorito ou água de coco e chupe nos intervalos das refeições;

·         Procure comer em intervalos menores;

·         Realizar meditação, descanso, respirações profundas, ouvir música ou fazer qualquer tipo de atividade relaxante antes de qualquer sessão de quimioterapia, é importante para fazer você se sentir mais relaxado

·         Evite deitar-se após as refeições, pois isto prejudica a digestão. Procure descansar sentado por pelo menos uma hora após as refeições;

Constipação: também conhecida como prisão de ventre, é considerada quando se tem a alteração do habito intestinal para menos que três vezes na semana, dificuldade de evacuar e fezes endurecidas. Converse sempre com seu médico na vigência deste sintoma, ele pode prescrever medicamentos laxativos que minimizam este sintoma. Seguem algumas dicas:

·         Realize atividade física com regularidade, mesmo que não possa andar, consulte um fisioterapeuta ou um educador físico para te orientar quais exercício você pode fazer;

·         Beba bastante líquidos (8-10 copos por dia), podendo ser água, sucos, chás etc;

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Dayana Hiromi Brancatti Yabase – Coordenadora de Enfermagem da Oncologia do Hospital Santa Catarina. Aprimoramento em Enfermagem Oncológica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Especialista em Enfermagem Oncológica pela Sociedade Brasileira Enfermagem Oncológica.