Notícias e Destaques Tive Recidiva, e agora?

O primeiro impacto do diagnóstico foi devastador!  O tempo passou, o tratamento foi feito, entrei em remissão, e quando pensei que estava livre, numa das consultas de acompanhamento, a notícia veio aterrorizar novamente a minha vida: o MM está ativo novamente.

Um dos primeiros problemas que temos é o medo da recidiva.  O problema em si não é o medo, mas sim as ações que ele implica.  Ainda é muito comum ver pacientes evitando exames, postergando consultas por receio dos resultados.  É fundamental dizer que, embora ter a notícia da doença em ação seja muito dolorosa, é a única chance de iniciar o tratamento de forma breve e torná-lo mais eficaz.

Não querer saber sobre o progresso da doença não evita que ela progrida.

E quando sabemos que o MM voltou, o que fazer?

A primeira coisa a fazer é compreender que este pode ser um processo natural da doença e que não acontece só com um paciente.

O principal motivo de angústia sem dúvidas é o medo da morte, mas também pensar que será necessário passar por todo o processo do tratamento doloroso e invasivo novamente.

Para evitar qualquer tipo de sofrimento desnecessário, segue uma lista de providências que podem ajudar:

1.    Saber da doença é melhor do que a ignorar.  Somente com consciência sobre o progresso do MM é que você poderá tomar as melhores decisões sobre os tratamentos.

2.    A equipe multidisciplinar é aliada e não inimiga.  Na impossibilidade de contar com vários profissionais, esgotar ao máximo todas as dúvidas junto a seu médico.

3.    Não deixar de fazer o que você pode fazer.  Perder a independência é um ótimo cenário para a depressão.  Cada momento da doença é único e será necessário lidarmos com cada situação a seu tempo.

4.    Buscar apoio psicológico para superar os medos e as dificuldades do tratamento.  Não é sinal de fraqueza entendermos que por vezes precisamos de apoio. E em algumas situações nossa família ou rede social não está apta a nos fornecer todo o apoio do qual precisamos.  Estar equilibrado emocionalmente fará uma diferença significativa para enfrentar este novo processo.

5.    Manter-se consciente do processo e participar das escolhas.  Quanto mais você puder entender e optar pessoalmente pelos tratamentos, mais consciente estará sobre os mesmos e mais colaborativo você poderá se tornar.

6.    Você já passou por isso e pode superar este novo processo.  Saber que o processo foi doloroso, difícil, mas que a remissão é possível não deve servir como desalento, e sim como estímulo.  Saber sobre o processo te instrumentaliza para levantar alternativas e possibilidades para evitar sofrimentos.

7.    É necessário viver a vida e não a doença.  Teremos duas opções: viver como se fossemos resumidos à doença, ou VIVER, apesar da doença.

8.    Dar valor ao que realmente tem valor.  Concentra-se no que lhe faz feliz, e investir nisso diariamente.  Todos nós vamos morrer, não é opcional, é só uma questão de tempo e jeito.  Ninguém quer se despedir agora, portanto precisamos aproveitar cada minuto que nos resta.

 

 

ERIKA SCANDALO

Especialista em Psicologia Clínica, escreve sobre a vida e diferentes formas de aproveitá-la.  Acredita que a felicidade é consequência de uma visão proativa sobre as dificuldades. Ser feliz é mais um olhar sobre o que se tem, do que ter tudo o que se quer. Site: www.erikascandalo.com.br