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Artigo 52
26/11/2009 -
 

Olá!

 

Eu estava pensando no que escrever neste artigo e resolvi perguntar à minha filha, hoje estudante de medicina, o que ela tem percebido sobre as necessidades dos pacientes em suas primeiras incursões na área da saúde. Ela me respondeu que, de cara, percebe que falta ao paciente muita “informação” sobre a doença.

Telefonei para a atual “formiguinha” da IMF, Débora, e fiz a ela a mesma pergunta, ouvindo em resposta “necessidade de conscientização”.

Fiquei pensando a respeito das duas questões, porque são duas: informação é o que se obtém juntando e interagindo dados, até se formar um conhecimento. E conscientização...

Bem, conscientização ficará para o próximo artigo, junto com informação. Agradeço à minha filha e Débora pelas idéias, prometo que elas serão exploradas em brevíssimo artigo que já está a caminho do forno criativo, mas o que aconteceu foi o seguinte.

No meio da manhã, ouvi uma frase dita por uma pessoa próxima a mim, enquanto conversávamos a respeito de coisas da vida, dentre elas, possíveis diagnósticos à espera de confirmação após exames de laboratório. A frase foi esta:

                        Não me importa o que eu vejo. Importa aquilo em que eu acredito!

O efeito destas palavras me balançou e antes mesmo de eu dar vazão às idéias, fui fisgada por uma flecha definitiva lançada por minha interlocutora:

                        É a força da fé!  Fé é isso!

                       É você acreditar piamente, não importam as  circunstâncias!

A partir daí, fiquei às voltas com esta questão que já abordei tantas vezes com vocês em artigos e palestras: Fé!

Fé e tudo o que diz respeito a este sentimento tão necessário à sustentação da humanidade e certamente imprescindível nos tempos atuais devido às tantas loucuras que acometem o mundo, todas envolvendo algum tipo de situação que abre feridas já cicatrizadas, faz novas, dói de várias maneiras e entristece em todas.

Aliás, tenho encontrado muitas pessoas tristes e desanimadas com a falta de resultados pelos quais lutam e lutam.

Uma delas, por quem nutro grande afeto, me disse recentemente:

- não adianta esperar de alguém o que este alguém não tem para dar.

Mas ela espera, mesmo sabendo que não haverá papel de presente embrulhando uma atenção e cuidado do jeito que precisou a vida toda, e ainda precisa, ela espera.

Na ocasião, eu não disse a esta pessoa o que lhe digo agora:- sem entrar nas imponderáveis e por vezes insensatas razões do amor, sabe o que não a deixa desistir de esperar ano após ano? A esperança que sustenta os desejos humanos e que sobrevive a toda e qualquer descrença.

Esperança e fé! Graças a esta dupla dinâmica, todos sobrevivemos às nossas mazelas.

Enquanto a fé nos mantém fortes, a esperança nos mantém vivos.

E vocês se lembram do que eu já informei anteriormente? Que o símbolo da esperança é a âncora? Pois é. Tenho percebido que muitas pessoas estão precisando rever suas âncoras para seguir navegando pelos mares da vida, que continua sendo algo nada fácil de se dar conta, mas que ainda é pelo que mais lutamos.

As razões que deram origem às frases que me inspiraram para este artigo foram questões ligadas à vida. Vida, fé e esperança se misturam quando a ameaça de uma doença grave bate à porta e invade o nosso dia a dia tão bem planejado, tão bem organizado, tão bem previsto segundo a noção de que somos onipotentes o bastante para assegurar a viabilidade de nossos projetos.

É sempre complicado quando a vida nos dá uma de suas famosas rasteiras, fazendo lembrar que não é bem assim.

Nestas horas, talvez até dê vontade de sentar à beira do caminho para esperar pela carona de alguma mágica que faça com que tudo volte ao normal a fim de que possamos seguir em frente para continuar o que estávamos fazendo, do jeito que estávamos fazendo.

Nestas horas, talvez até bata um desejo de que exista uma bússola que aponte, com precisão, a melhor direção a ser seguida, pois o peito se aperta angustiado porque ficamos sem certezas, sem garantias para continuar.

Como seria bom se pudéssemos ficar em casa, protegidos das ameaças, até todas elas passarem. Como seria bom se todos os veredictos fossem sempre a favor do bem. Como seria bom contar com alguém materno ao lado, prometendo que tudo dará certo, que todo final será feliz, como nos contos de nossa infância.

Como seria bom se a felicidade durasse mais momentos que a infelicidade porque esta, de alguma maneira, sempre envolve perdas. Como seria bom só perdermos coisas que não nos servem mais, ou que fazem mal, ou que não queríamos mesmo.

Como seria bom preservar na vida tudo sem o qual ela fica pela metade.

Tenho certeza de que, sem fazer nenhum esforço, vocês se lembraram de muitas coisas que os deixaram pela metade.

Bem, a conversa das frases se referia ao fato de que uma pessoa conhecida, e querida a tantos, pode estar com uma doença grave.

A conversa das frases despertou em mim a vontade de dizer a esta pessoa:

- Força aí!Vai dar tudo certo!  Somos impotentes para prever o imprevisto, mas podemos ser potentes para lidar com tudo o que vier dele. Embora nossa religião, embora nossos discursos, ficamos frágeis diante de um diagnóstico inesperado porque somos absolutamente humanos  e nossa humanidade, nestas horas, toma um susto que pode durar momentos, horas, dias, semanas, meses. Cada um tem o seu tempo neste período de rescaldo. Nós hoje sabemos mais, evoluímos mais, a tecnologia aprimora-se a cada segundo, a ciência encontra respostas para questões antigamente insolúveis, mas, e apesar de tudo isso, nos surpreende o fato de não sermos poupados da tal caixinha de surpresas que é a vida. Ela nunca edita o resumo dos próximos capítulos. Eles simplesmente vão ao ar. Eu vou torcer para que você se cuide com muito carinho e paciência,  pois seu momento é delicado e requer respeito. Requer sensibilidade. Você é uma linda pessoa e uma guerreira na vida pessoal e profissional. Aliás, você é uma profissional que já lançou luz no fundo do túnel de muitas vozes. Por uma em especial, eu lhe sou infinitamente grata. Se precisar de mim, eu estarei aqui com toda a minha maneira de ver e experimentar a vida. Se precisar de mim, eu estarei aqui para um café, para um bate papo mais sério, ou mesmo para jogar conversa fora. Eu estarei aqui para ouvir você e, também, para dividir com você a minha psicologia e as minhas esperanças. São várias, mas todas apontam para um único norte: o norte da Fé! Porque eu acredito!

Se precisar de mim, eu estarei aqui também com toda a minha amizade.

 

Forte abraço a todos e até a próxima.

 

Gláucia  Telles Sales

 

 

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