Histórias de Pacientes Fernando
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Minha história com o M.M, mesmo sem eu saber começou em outubro de 2014 quando depois de uma corrida de motovelocidade, esporte o qual praticava, passei mal e fui internado com uma crise renal aguda que após investigação médica foi tratada como nefrite intersticial levando-me a realizar 6 sessões de hemodiálise e aproximadamente 2 meses e meio de tratamento. Neste momento nenhum diagnóstico adicional foi constatado a não ser uma leve anemia persistente em todos os exames, porém como a função renal havia se recuperado não foi dada muita atenção. De janeiro a outubro de 2015 tive diversas infecções, sinusite e infecção urinária e em outubro novamente de 2015 fui internado para investigar as infecções e após diversos exames fui submetido a tomografias e cintilografia o qual apontou fissuras em 2 arcos costais não causas por batida ou queda, neste momento foram feitos mais diversos exames e após um mielograma veio o diagnóstico mieloma múltiplo. Foi um choque a todos da família, pois meu pai faleceu de um tipo raro de leucemia. A medica Dra. Ana do Hospital do Servidor Público Estadual detalhou a doença e seu tratamento após convocar meus familiares e decidimos iniciar o tratamento imediatamente. Ali começava minha batalha contra esta doença silenciosa. Foram 6 ciclos de quimioterapia semanais com bortezomib, ciclofosfamida e dexametasona, além do Zometa, sendo que este último me causava dores intensas e foi reduzido e finalmente suspenso por gerar muitos efeitos colaterais para mim. Durante a quimio fiquei afastado de todas as atividades de risco e do trabalho, mas após o primeiro mês levei vida normal, passeava, viajava, o tratamento foi muito bem tolerado e sempre que necessário eram feitos ajustes nas medicações por minha médica dando-me conforto para prosseguir. Desde o início o plano era fazer os ciclos de quimio e fechar com o transplante e neste cronograma deu tudo certo, não tive nenhuma intercorrência neste período e em 23 de maio de 2016 internei-me para iniciar os procedimentos do TMO no Hospital das Clinicas de São Paulo, colhi células tronco no quinto dia e no sexto fiz a quimio com o Malfalan e no dia seguinte recebi as células novamente. Recebi alta do H.C 3 dias após o TMO e estava razoavelmente bem, apenas sem apetite e com início da mucosite, porém na semana pós alta foram os piores dias que pude vivenciar como ser humano, não tinha forças nem mesmo para me vestir, nem me levantar sozinho, o banho era tomado com muito esforço e com ajuda da minha namorada a qual teve papel fundamental neste período ficando o mês todo 24 horas por dia cuidando de mim e da casa já que morava sozinho. Uma semana depois da alta após receber por diversas vezes plaquetas e sangue, o médico do Hospital dia do H.C resolveu internar-me novamente e no isolamento, pois estava muito mal devido a mucosite não me alimentava e tinha febre, ânsia constante, diarreia e dores abdominais horríveis. Foram 6 dias sem comer nada, apenas no soro, nem água descia, não podia deitar por me causar ânsia e praticamente não dormia, minhas forças eram apenas para ir a cada meia hora ao banheiro e só.

No D 12 finalmente a medula pegou e dizem que tudo melhora do dia pra noite, mas comigo isso não aconteceu, só fui ter uma melhora quase 2 semanas após a pega e tudo foi muito lento. Não sei para a maioria das pessoas, mas em meu caso achei o TMO um procedimento simples mas com efeitos muito complicados, ele acaba com muita coisa física, mental e psicologicamente, você se sente um vegetal por muito tempo, não consegue fazer nada, não tem forças para sequer levantar sozinho, não liga para nada ao seu redor e não tem sentimentos como tinha antes por um bom período e se sua família, o companheiro não estiver preparados a coisa fica feia. É um processo muito duro de recuperação que exige muita ajuda externa e paciência de quem cuida e do paciente e acredito faltar mais orientações sobre como nós ficaremos pós TMO e talvez um acompanhamento psicológico ao paciente junto a consulta semanal com os médicos a fim de minimizar estes problemas. Hoje estou a mais de um mês decorrido do transplante e a cada semana a recuperação evolui um pouco, o processo é lento, mas a minha medula esta a todo vapor e já faço tudo sem ajuda de ninguém, semana que vem retiro o cateter e só faço exames e acompanhamento em períodos maiores. Ainda tenho as limitações de não poder sair por ai sem máscara e o cabelo ainda não cresceu, mas é assim, tudo muito lento, ao menos pra mim, acostumado com a velocidade rsrs,

Espero não ter a necessidade de passar novamente por isso e para quem ainda não passou minha mensagem é para não ter medo, porém vá preparado sabendo que não será tão fácil como os médicos relatam, tenha algumas pessoas as quais você possa contar para cuidar de você( minha mãe e Kitia), te transportar (no meu caso meu primo Vandré), etc…,  e uma reserva financeira para o caso de taxi e outros gastos que o tratamento exige, no mais, tenha muita fé e tudo vai dar certo.

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