Histórias de Pacientes Greicy Gadler Lang
imf@myeloma.org.br

Olá, meu nome é Greicy Gadler Lang, em março de 2017 completarei 35 anos. Sou casada, mãe de dois filhos: um menino de 6 anos e 10 meses e uma menina de 1 ano e 10 meses. Moro em Chapecó, Santa Catarina. Sou professora de matemática, mas após o nascimento do meu primeiro filho tive depressão pós parto, fiquei afastada para tratamento por dois anos, e depois desse período difícil, resolvi dar um tempo na profissão e me dedicar mais a minha família. Quando me senti preparada começamos a planejar nosso segundo filho. Nos exames de rotina eu apresentava um pouco de anemia. O ginecologista me receitou vitaminas e ferro. Quando estava com 4 meses de gestação comecei a me sentir muito cansada, fraca e com dificuldades para realizar atividades simples. Havia piorado a anemia. Fui encaminhada a uma hematologista. Fizemos inúmeros exames, repus vitaminas e ferro, mas não surtia nenhuma melhora. Com a transfusão sanguínea consegui melhorar, mas quanto aos exames não tínhamos chegado à uma conclusão. Minha filha nasceu perfeita, linda e pesando 3,710 kg e a amamentei por 10 meses. Meu cansaço estava me consumindo novamente. Minha família e amigos diziam que era normal, pois com dois filhos a rotina era pesada. Eu reclamava com a minha endocrinologista (há anos trato o hipotireoidismo) mas ela também atribuía meu cansaço a minha rotina de mãe. Não satisfeita, retornei à hematologista. Anemia novamente. Reposição de vitaminas e ferro, sem nenhuma melhora. Então decidimos fazer mais exames de imagem, endoscopias, biópsia... foi quando no dia 30/09/2016 veio o diagnóstico de Mieloma Múltiplo. Nesse dia senti como se o chão tivesse aberto uma cratera e eu estava sendo sugada. Não lembro muito do que a médica me dizia, só chorava pensando que de uma simples anemia que me deixava cansada passei a ter um câncer maligno incurável. Passei dias chorando, pensando que ia morrer e deixar meus filhos pequenos ainda. Quem cuidaria deles tão bem, com tanto amor e carinho quanto eu? Senti a morte me acompanhar, indaguei sobre expectativa de vida.

Em outubro/16 iniciei as quimioterapias. A primeira quimioterapia me deu muita febre e dores horríveis no corpo. Me revoltei novamente. Só me sinto cansada, sou diagnosticada com câncer e a agora uso drogas que me causam febre e dores...

Nas semanas seguintes foram diminuindo os efeitos colaterais da quimioterapia. Na semana passada terminei o terceiro ciclo. Estou bem, continuo com minha rotina de atividades em casa com meus filhos. Nesse tempo procurei me fortalecer espiritualmente com orações e pensamentos positivos. Procurei conversar com pessoas que passam pelo mesmo problema, li muitos depoimentos. Uns me encorajavam, outros me assustavam. Às vezes não é fácil, mas precisamos seguir confiantes. Espero que ao final do quarto ou quinto ciclo esteja pronta para o transplante. Sei que o período do transplante não será fácil pois estarei longe da minha família e amigos, mas se Deus quiser esse período passará rápido e dará tudo certo.

Abraços

Participe. Conte você também a sua história. Clique aqui!