Histórias de Pacientes ana paula simoes
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Boa tarde. Meu nome é Ana Paula e vou contar um pouco a história da minha mãe , Maria Alice C. Uma mulher ativa, trabalhadora e agitada, que de uma hora para outra começou a sentir cansaço, dores leves, tipo umas pontadas: ora abaixo dos seios, ora nas costas. Na época todo mundo tinha dengue e quando fomos ao médico, a princípio essa era a suspeita, já tinha passado em ortopedista, feito fisioterapia, mas as dores e a fraqueza, aumentavam. Exames foram coletados e para nossa surpresa a creatinina estava alta 4,0, a médica do pronto socorro pouco deu atenção e pediu que procurasse um nefrologista. Bem, procuramos vários nefrologistas e a princípio a suspeita era um insuficiência renal aguda medicamentosa, pois já tinha tomado muitos antiinflamatórios, todos prescritos por médicos (uns 4 médicos pelo menos que me lembre). Fazia fluidoterapia e exames diários , mas o quadro não melhorava e fomos orientadas a fazer uma biópsia renal .

Encontramos um nefro fantástico, que fez a biópsia rápido e o diagnóstico em 24 hs estava em mãos ..... o Dr.Medina nefro bateu nas minhas costas e disse filha vá procurar um hematologista, pois sua mãe tem mieloma e eu não posso ajudá-la, ela precisa de um hemato. Aliás ele mesmo, médico fantástico já tinha ligado para o hemato do convênio de minha mãe e dado as coordenadas. Saímos de lá do consultório meio perdidos, sem saber o que era mieloma, nunca tínhamos ouvido falar esse nome, mas sabíamos ser grave pela pressa do Dr..

Até chegar o dia da consulta da minha mãe com o hemato, demorou um pouco e depois vieram as biópsias, o mielograma, uma espera sem fim ....e enquanto não se tinha esses laudos confirmando, pouco foi feito e ela estava cada dia pior.

Enfim, tivemos a confirmação do mieloma no final de junho/2015, o tipo era de cadeias leves. Iniciou um tratamento com talidomida, ficou péssima, e onde estava o médico hemato nessa hora? Só atendia 1x por semana no hospital, meio período e parecia não estar preocupado com a situação, aquilo para ele era normal, para nós não.

Nos sentimos perdidas, sem amparo, quando perguntei para o médico o que era mieloma, ele me respondeu: você é muito ansiosa, na hora certa vai saber ....e pior, minha mãe disse Dr. me sinto tão cansada e ele respondeu: dorme dona Alice. Aquilo para mim foi o fim!!! As lágrimas corriam em meu rosto. Corremos com minha mãe de lá e em pesquisas na internet descobri esse site e a IMF Latin America, e enfim decidimos que minha mãe seria tratada na Santa Casa de São Paulo.

Em 01/07/21015 minha mãe foi internada a beira da morte, passou 13 dias lá, eles só estavam apagando o fogo. Ela ficou muito mal, achamos que iria morrer, teve alta e após um 1 mês retornou a Santa Casa no grupo de mieloma e iniciou um novo tratamento com Velcade. Lá recebemos um tratamento humanizado, nos sentimos acolhidos e conhecemos a Dra. Aninha, como minha mãe a chamava, Dra. Ana Lucia Peres, um anjo que apareceu em nossas vidas. Ela conduziu o tratamento da minha mãe até seu último dia de vida, primeiramente na Santa Casa e depois em seu consultório, na clínica São Germano (SP).

Infelizmente ela faleceu em 31 jan de 2017. Mas faleceu com dignidade, se sentindo amada e respeitada. A doença foi diagnosticada tarde, mas lutou até seu último dia de vida. Amava a vida, era feliz e continuará sendo para sempre uma guerreira, mas agora em outras dimensões. Infelizmente descobrimos tarde que com exames simples podemos descobrir essa doença cedo e dar qualidade de vida ao paciente. Minha mãe foi diagnosticada já no estágio 3B (o último) e lutou por 2 anos bravamente.

TE AMO MÃE, descanse em paz.

 

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