Histórias de Pacientes Luiz
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Em Dezembro de 2012, estava eu fazendo um de meus hobbies preferidos, a marcenaria, e ao carregar um armário que estava fazendo senti uma forte dor na lombar, seguido de um forte estalo. Perdi o ar, não conseguia falar ou mesmo alcançar o celular para pedir socorro, fiquei por cerca de 40 minutos nesta situação, sozinho, não conseguia me movimentar, não conseguia nem mesmo gritar por ajuda. Após este “leve” desespero, consegui ir ao médico, que depois de um raio x, me disse não ser nada, apenas tinha de emagrecer e procurar um ortopedista, foi neste dia onde conheci meu novo e inseparável amigo, o tramal. Após este episódio, passei por três ortopedistas e dois clínicos que me afirmaram que o meu problema era o peso, mas o que parecia um martírio era apenas o início de uma longa jornada. Já em  2013. Era quarta-feira, 1º de maio, feriado dia do trabalho, estava saindo de férias também. Recebemos um convite para um churrasco do vizinho, e ao subir o primeiro lance de escadas da minha casa, travei. Começava o princípio da aflição de um longo e demorado diagnóstico de Mieloma Múltiplo.

Sou Luiz Fontenele, Testemunha de Jeová, tinha 28 anos na época. Eu também era bem pesado, tinha quadro de obesidade mórbida e fazia tratamento para realizar a cirurgia bariátrica.

Travei no primeiro lance de escada, faltavam mais dois lances e mesmo dando um tempo até as dores passarem, continuei travado, sem poder andar e com muitas dores nas costas, região lombar. Por fim, chamaram socorro e uma ambulância me levou para o hospital mais próximo.

Pelo meu quadro, chamaram um ortopedista que pediu raio X das costas e logo disse que não era nada, que ia me liberar. Com insistência de minha esposa, ele solicitou tomografia e sumiu. Em seguida apareceu um médico neurologista que não disse nada sobre o resultado do exame, apenas disse que eu ia ficar internado.

O médico responsável por mim era um neurocirurgião que identificou uma fratura de vértebra e começaram a suspeitar que meu peso estivesse tendo alguma influência no quadro clínico. Após inúmeros exames, ressonância, cintilografia, a minha família estava agoniada, pois falaram sobre tumor, mas não detalharam nada a respeito. Isso gerava muita ansiedade e estresse.

Fui transferido de hospital devido burocracia de plano de saúde e por fim decidiram não fazer cirurgia. Fiz um exame dolorido chamado mielograma que deu negativo. Fiz biópsia de tumor em vértebra, aguardei resultado de neoplasia maligna de plasmocitoma único solitário. Nesse momento, eu e minha família ficamos sem chão.

Tive alta hospitalar em Junho de 2013 sem fazer cirurgia. Mandaram-me procurar um local e profissional especializado no meu novo diagnóstico. Peguei o resultado e saí em busca de vários neurocirurgiões, pois muitos profissionais viam meu quadro de obesidade mórbida e também não concordavam com as minhas crenças de não fazer uso do sangue e me pediam para procurar outro médico que desejasse “pegar” o caso.

Foi quando a Colih (comissão de ligação com hospitais) em Guarulhos me indicou um neurocirurgião, o Dr. Egmond Santos que aceitou prontamente meu caso, juntamente com o Dr. Cristiano Diniz. Novamente sai de maca da minha casa com dores intensas na região lombar e no dia 03/08/13 fui operado com a colocação de artrodese (4 parafusos e 2 hastes) e também uma laminectomia para descompressão da medula. Cirurgia foi bem sucedida e da forma que eu não violasse a minha consciência. Fiquei bem, sem dor, mas triste por não saber direito como lidar com o diagnóstico de câncer.

Em Dezembro de 2013 iniciei 25 sessões diárias de radioterapia. Retornava no hematologista a cada 90 dias, pois embora eu ainda não tivesse o diagnóstico de Mieloma Múltiplo, muito provavelmente iria adquirir no futuro. Hematologista sempre me avisando para fazer cirurgia de redução do estômago.

Em Janeiro de 2015 tive que ser submetido novamente a cirurgia de coluna, pois tive fratura de parafuso devido excesso de peso. Em Março de 2015 fiz novo procedimento para colocação de nova artrodese, desta vez com 10 parafusos e duas hastes. Minha recuperação foi mais lenta, dolorosa pois estava muito pesado. Felizmente em Novembro de 2015 fui para Franca/SP, realizar cirurgia bariátrica onde encontrei um único profissional indicado pelo meu plano de saúde que aceitou me operar sem uso de sangue. A cirurgia correu muito bem, médico me liberou dois dias depois. E em Janeiro de 2016 veio o diagnóstico de Mieloma Múltiplo. Iniciei tratamento com protocolo cybord. Perdi 89 quilos para estar apto ao TMO.

Meu hematologista me mandou procurar um profissional em SP que realiza TMO em pacientes Testemunhas de Jeová (sem uso do sangue) e de fato fui muito bem atendido e acolhido pelo Dr. Roberto Luís da Silva. Realizei o TMO no dia 12 de Outubro de 2016 e tive alta no mesmo mês. Tive excelente recuperação, mas meus níveis de pico monoclonal ainda estão altos. Iniciei novo protocolo com Kyprolis e estou ansioso aguardando bons resultados.

 

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