Notícias e Destaques ASCO 2008 - American Society Of Clinical Oncology

ASCO 2008 – Batendo um papo com o Dr. Antonio Palumbo, da Universidade de Torino e do Grupo de Estudo Italiano de Mieloma Múltiplo.

 

Durante o Congresso anual da American Society Of Clinical Oncology (Sociedade Americana de Oncologia Clínica) realizado em Chicago entre 30 de maio e 03 de junho, Dr. Palumbo descreveu as principais notícias apresentadas sobre mieloma e as discutiu com a IMF:

 

Dr. Palumbo: O grupo francês IFM apresentou uma atualização de seu estudo que compara Velcade com dexametasona versus VAD. A taxa de resposta de Velcade com dexametasona está aumentando tanto antes como após o transplante autólogo. Deste ponto de vista, eu concordo com o Dr. Jean-Luc Harousseau que esta combinação está se tornando padrão como

 

tratamento de indução antes do transplante autólogo.

 

Outra apresentação importante foi a atualização apresentada por Dr. Vincent Rajkumar (E4A03 ECOG) mostrando que a combinação de Revlimid e dexametasona tem se mostrado uma opção de tratamento com um perfil bastante seguro que é eficiente para uma grande parte dos pacientes com mieloma e tem mostrado benefícios na sobrevida.

 

IMF: As apresentações parecem mutuamente exclusivas. Dr Harousseau está dizendo Velcade-dexametasona, Dr. Rajkumar diz Revlimid-dexametasona. O que faz um paciente?

 

Dr. Palumbo: Bem, a verdade que ainda não sabemos. Estes representam no momento os dois principais paradigmas de tratamento para mieloma onde até certo ponto tem-se a opção do  Revlimid, -  muito pouca toxicidade, muito bem tolerado, tratamento via oral, como um tratamento para hipertensão (crônica). É uma boa opção em termos de qualidade de vida e perfil de segurança.

 

Por outro lado temos, vamos dizer assim, o “tratamento intensivo” onde você tenta obter o máximo de remissões completas  - RC – que puder, levando-se em conta transplante autólogo e uma taxa de toxicidade mais elevada.  A questão é se uma toxicidade maior  é o preço correto a se pagar por um melhor resultado, e eu acho que esta é uma questão ainda em aberto.

 

IMF: O que mais foi importante no congresso?

 

O Dr. Palumbo mencionou a apresentação feita pelo Dr. Bart Barlogie (University of Arkansas for Medical Sciences) dizendo que ele mostrou resultados impressionantes mais adicionando que eles não são Estudos Randomizados, sendo  até certo ponto limitados pelo fato de não terem um braço controlado.

 

O Dr. Palumbo  então apresentou o que ele acredita ser o possível novo paradigma para tratamento:

 

Dr. Palumbo: Estamos agora acostumados à combinação de novas drogas com dexametasona. Agora sabemos que se combinarmos novas drogas com alguma outra quimioterapia adjuvante, como doxorrubicina ou ciclofosfamida, aumentaremos a taxa de resposta em comparação às terapias que combinam novas drogas somente com dexametasona.

Os dados demonstram que se usarmos as novas drogas com quimioterapia adjuvante ao invés da dexametasona sozinha, aumentaremos significativamente a taxa de resposta.  Ainda precisamos verificar a importância disso em termos de benefícios clínicos.

No momento sabemos que bortezomibe com ciclofosfamida é melhor que bortezomibe com dexametasona. Sabemos também que bortezomibe com doxorrubicina também  é melhor  que bortezomibe com dexametasona. Mas nesse momento temos apenas resultados de taxa de respostas e precisamos de  resultados de sobrevida livre da doença para podermos fazer uma afirmação definitiva sobre qual a melhor opção.

 

IMF:  O que vai acontecer daqui para frente?

 

Dr. Palumbo: Basicamente todas as opções estão sobre a mesa. Temos agora que descobrir, através de estudos controlados, quais são as opções realmente boas e qual a opção real que podemos traduzir em benefícios clínicos significativos. Já temos estas novas drogas. Sabemos que elas estão apresentando bons resultados. Precisamos definir qual a melhor combinação para indução, qual a melhor combinação para consolidação e para manutenção.

 

17/06/2008