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Tenho pensado muito no que uma doença faz em toda a família, em geral, e como ela atinge a cada membro.

Meu neto neste domingo me perguntou na hora do almoço porque eu estava doente e eu lhe respondi que não sabia e que ninguém sabe por que ficamos doentes.

 

Para ele esta pergunta me pareceu uma forma de se situar no nosso código de carinho, era um significado de companheirismo, um jeito de saber por que as coisas acontecem.Mas esta incompreensão não é só dele.

Assim como para cada filho, cada irmã, para nossos pais se ainda os temos ou para um amigo que se sente como nosso irmão, a doença atinge muitas vezes também, mais uns do que outros; e é talvez num outro individuo da mesma família que a doença se manifesta como uma outra dor, ou em outros como uma defesa e medo.

Fiquei pensando no que mais a doença causa alem da preocupação, se vai fazer faltar para alguns, no plano material, ou se vamos ser lembrados pela dor, pela própria dor que sentimos junto com este alguém que gostamos; ou até se causamos certa aflição e alguns se afastam por temor a dor.

Parece que acontece de tudo um pouco, na maioria das famílias, mas é quando acontece na nossa  que nos ressentimos ou nos sentimos mais fortalecidos com aqueles que podem se aproximar e trocar as dores conosco.

O que mais me impressionou nestas descobertas é que percebi que quando passamos por uma doença grave, ou algo como uma descoberta que teremos que conviver com uma dificuldade maior em nossa vida de uma forma mais permanente, ficamos obrigados a ter que descobrir uma sensibilidade especial para nos tratarmos e tratar da doença.

Percebemos que não somos os únicos a passar por momentos difíceis, e isso já nos coloca num universo maior, de menos egoísmo.

Percebemos que ninguém é perfeito e que agora só estamos precisando um pouco mais de ajuda, e por isso precisamos aprender também a pedi-la.

Quando pedimos, estamos também ajudando outros a se sentirem bem, pois estão dividindo conosco sua sensibilidade especial, aquela que aprendemos quando estamos no mesmo lugar daqueles que estão sofrendo.

Continuei pensando neste tema e assisti um filme que falava diretamente desta mesma sensibilidade que veio aparecendo em relação à família atingida pela dor.

Era a história de um menino que se machuca com um rifle acidentalmente e passa a enxergar só sombras, e tem que se afastar da família para estudar numa escola especial e lá passa a buscar formas de se expressar entre pessoas cegas e não cegas.

Descobre que tem uma sensibilidade especial com os sons e passa a fazer uso deste canal para expressar seus desejos e sonhos e passa esta sua sensibilidade a todos que o rodeiam e amplia seus horizontes.

Esta é uma história real e hoje este menino é um renomado editor da indústria cinematográfica italiana.

Muitas vezes aprender com a dor é a única forma de aprender e não se poupar.

Nos faz desenvolver a outra forma de sensibilidade que temos escondida em nós mesmos.

Se a nossa dor serve para todos não sei, mas é sempre uma oportunidade de ampliarmos a nossa visão e a dos outros.

A cada momento um novo prisma pode se abrir, e passa a ser uma descoberta nova de ouvir mais sons, encantar-se com a lua ou com a brisa e a felicidade de estarmos vivos.

E ter uma família cheia de sensibilidade e carinho também ajuda a descobrir mais força e coragem nos próprios momentos de dor e vibração.

  

Abraço

Bia

 

26/09/2008