Notícias e Destaques EFEITOS COLATERAIS ASSOCIADOS À ESTEROIDES EM PACIENTES COM MIELOMA

A IMF conversou com Patrícia A. Manga, Mestre em Enfermagem, sobre ESTEROIDES: O que são e seus principais efeitos colaterais para os pacientes de mieloma.

Patrícia A. Manga, Mestre em Enfermagem, Enfermeira Certificada em Oncologia Avançada, Enfermeira Coordenadora/ Bone Marrow and Stem Cell Transplant Program (Programa de Transplante de Medula Óssea e Células-Tronco), Abramsom Câncer Center University of Pennsylvania Filadelfia, PA.  

 

O que são esteróides e qual o papel deles na terapia de mieloma múltiplo?

Há diversos tipos diferentes de esteróides, mas os tipos que são usados na terapia de mieloma múltiplo são corticosteróides (também conhecidos como glicocorticosteroides). Essas substâncias poderosas são bem diferentes dos esteróides anabólicos que são associados ao aumento de força muscular. Corticosteróides são efetivos na redução de inchaço e inflamação em diversos tipos de tecido. Eles são à base de regimes terapêuticos para pacientes com mieloma.  Dentre os muitos tipos de corticosteróides, aqueles mais usados no tratamento de mieloma incluem dexametasona e prednisona. Prednisona tem sido usada para melhorar a taxa de resposta da terapia com Melfalano para mieloma desde o final da década de 60. Dexametasona tem sido usada para mieloma desde os anos 80, ambos em combinação com outras abordagens terapêuticas ou como agentes únicos. Cada um funciona de uma maneira distinta. Dexametasona e prednisona matam as células de mieloma por inibição da atividade das citocinas, que são proteínas do corpo que incitam o crescimento de células de mieloma, e por redução da ação do fator nuclear kappa B (NF-kB), uma molécula responsável pelo aumento da inflamação associada ao mieloma. Ambos, dexametasona e prednisona, são receitados para pacientes com mieloma como agentes únicos ou em combinação com outros agentes anti-mieloma, incluindo os novos medicamentos anti-mieloma talidomida, lenalidomida (Revlimid®), e bortezomibe (Velcade®).

Quais efeitos colaterais podem ser apresentados por pacientes com mieloma que recebem terapia de corticosteróides?

Esteróides são medicações poderosas e podem ser acompanhados de efeitos colaterais significantes. A gravidade e natureza dos efeitos colaterais podem variar. Eles estão relacionados com a dose e duração da terapia. Esses efeitos colaterais podem ter um impacto no funcionamento físico, social e psicológico do paciente. Os efeitos colaterais entram em diversas categorias, que incluem: Constitucional (rubor, sudorese, insônia) • Psiquiátrico (alterações na personalidade, alterações de humor, hiperatividade) • Imunológico (nível alto de leucócitos, infecção) • Muscoesquelético (osteopenia/osteoporose, câimbra muscular) • Oftálmico (visão embaçada, catarata) • Gastrointestinal (azia, flatulência, alterações de paladar, soluço) • Endócrino (glicemia elevada, insuficiência adrenal) • Cardiovascular (retenção de líquidos) • Dermatológico (erupção cutânea, acnes, feridas bolhas) • Disfunção sexual •

Esses efeitos colaterais podem ser controlados?

O elemento mais importante no controle e redução de efeitos colaterais associados a corticosteróides é a comunicação clara entre pacientes e seus profissionais da saúde. As toxicidades associadas às terapias com corticosteróides podem ser controladas através da alteração do tipo de esteróide e da dose usada para alcançar o equilíbrio entre a efetividade do tratamento e a qualidade de vida. O sucesso do tratamento com corticosteróides no tratamento de mieloma depende da educação dos pacientes e na incitação da comunicação com sua equipe médica. Isso exige que os pacientes sejam informados sobre efeitos colaterais possíveis e encorajados a relatar qualquer evento adverso. Pacientes que estão cientes de efeitos colaterais e os relatam prontamente estão mais propensos a aderirem em seus regimes terapêuticos e a ter um resultado de tratamento melhor.

Como se avalia a severidade de um efeito colateral?

O Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos (NCI, sigla em inglês) desenvolveu uma escala para avaliação de efeitos colaterais – ou eventos adversos. Ela é conhecida como a CTCAE (sigla em inglês para Critérios de Terminologia Comum para Eventos Adversos). Para cada efeito colateral que um paciente pode apresentar um grau de 1 a 5 é associado.  Grau 1 significa que a experiência de um efeito colateral é leve. Grau 2 significa que é moderado no impacto; Grau 3 é grave; Grau 4 é para ameaça à vida ou debilitação; e Grau 5 se refere a um efeito adverso relacionado ao óbito. Para que a CTCAE seja efetiva no monitoramento de terapias com corticosteróides e útil para determinar se alterações de dose precisam ser feitas, médicos e pacientes devem conversar abertamente e regularmente sobre eventos adversos. As informações reunidas através do uso da CTCAE têm um papel importante na avaliação de novas terapias para câncer. Também é valioso como um método consistente e confiável para comparação da gravidade de efeitos colaterais através de diferentes profissionais de saúde - um fator importante quando os pacientes visitam especialistas diferentes ou quando os tratamentos são comparados através de pesquisas clínicas.

Uma vez identificados e avaliados, como os efeitos colaterais podem ser controlados?

Uma grande quantidade de pesquisas e experimentos tem procurado abordagens efetivas para reduzir a gravidade de eventos adversos relacionados com terapias com corticosteróides. Elas entram em três categorias: Farmacológica (medicação), não-farmacológica (curas não-medicamentosas), e educação do paciente. A maior parte dos efeitos colaterais pode ser tratada com a utilização de uma ou mais de uma dessas abordagens. Quando ocorre rubor ou sudorese, é importante verificar se tais condições são disfunções da tireóide ou pre-menopausa. Se nenhum for à causa, então intervenções não farmacológicas, como usar roupas frescas ou bolsas de gelo, juntamente com ingestão de líquidos para manter a hidratação, são efetivos. Se os pacientes apresentarem edema (inchaço), isso pode ser tratado de maneira não-farmacológica por redução da ingestão de sal, elevação dos membros, meias finas de compressão, e aumento de atividade física. A abordagem farmacológica mais comum é o uso de diuréticos. Perda óssea é um efeito colateral de corticosteróides que é de preocupação particular se há outros fatores de risco para osteoporose (idade avançada, pós-menopausa, histórico de fumante, ou presença de lesões líticas). Se esses fatores estiverem presentes, um exame basal de densidade óssea inicial deve ser realizado. Pacientes com mieloma que possuem lesões ósseas devem levar em consideração tratamento com bisfosfonatos. O uso de cálcio é controverso em pacientes em terapia com esteróides, pois isso pode interferir na absorção do medicamento. Se alterações de personalidades ocorrerem, juntamente com grupos de ajuda e aconselhamento psicológico, há intervenções farmacológicas como redução da dose (ou descontinuação) ou alteração do horário dos esteróides junto com o uso de medicações psicoativas.

Patrícia A. Manga, Mestre em Enfermagem, Enfermeira Certificada em Oncologia Avançada, Enfermeira Coordenadora/ Bone Marrow and Stem Cell Transplant Program (Programa de Transplante de Medula Óssea e Células-Tronco), Abramsom Câncer Center University of Pennsylvania Filadelfia, PA.  

 

30/03/2009