Notícias e Destaques AÇUCAR OU ESTRESSE – QUAL É PIOR?

 

As vezes é preciso uma má notícia para que as pessoas façam mudanças necessárias em suas vidas. Alguém diagnosticado com cancer de pulmão pode finalmente conseguir parar de fumar 2 maços de cigarros por dia, um hábito que mantinha desde a adolescência. Alguém que teve um infarto diminui a ingestão de gorduras de sua dieta e começa a fazer exercícios cardiovasculares.
 
Então que tipo de mudanças os pacientes com mieloma devem estar preparados para fazer?
 
Em abril de 2009 os esforços da International Myeloma Foundation nos Estados Unidos levaram o FDA e o Medicare a aprovarem testes de diagnóstico importantes para o mieloma, entre eles o uso do PET scan para o diagnóstico do mieloma. A razão pela qual os PET scan são bons para diagnosticar o mieloma é porque as células adoram “comer” açúcar, uma prática que se torna visível com a utilização da tecnologia do PET.
 
Então isso significa que se limitarmos o consumo de açúcar podemos essencialmente deixar as células de mieloma “morrerem de fome”?
 
Existem dois pontos cruciais a serem considerados: primeiro, os caminhos do açúcar nas células de mieloma não estão diretamente ligados aos açúcares que você come. Em segundo lugar, qualquer açúcar que você ingere é imediatamente combatido pela insulina; que regula, juntamente com vários outros hormônios, a absorção e a utilização do açúcar por todo seu corpo.
 
O equilíbrio do açúcar/insulina está sob controle rígido do nosso corpo. Um ponto importante é evitar o que se chama de “intolerância à glicose”, quando os níveis de açúcar e insulina estão fora de sincronia. Dexametasona e outros esteroides  induzem o corpo à intolerância à glicose. Esta é a razão pela qual pacientes que tomam dexametasona precisam controlar o nível de açúcar no sangue, e se necessário usar medicações como a metaformina para controlar os níveis de insulina/açúcar. A relação entre açúcar e insulina pode ser importante e pode estar relacionada ao crescimento das células de mieloma, já que foi demonstrado em experiências de laboratório que a insulina desencadeou a absorção de açúcar.  Um estudo recente, que foi apresentado no programa de tv americano “60 Minutes”, demonstrou que os pacientes de câncer de mama que tomam metaformina para o controle do diabetes tiveram resultados melhores no tratamento do seu câncer de mama. Isto esta alinhado com um recente estudo de laboratório que demonstrou  que a metaformina desacelerou o crescimento de células de câncer especialmente em tumores com padrão cromossômico 17p (deficiente do p53) – similar ao mieloma de alto risco. Então fiquem ligados para mais atualizações sobre este assunto.
 
Um segundo ponto importante é que incluir regularmente itens com alto teor de açúcar, como refrigerantes, na sua dieta não é uma boa ideia. Estudos recentes indicam que a alta ingestão esta associada com o aumento do risco de câncer, bem como doenças cardíacas, obesidade e diabetes. Os refrigerantes contém não só açúcar na forma de frutose, mas também uma variedade de outros químicos como o glutamato, que pode ser potencialmente prejudicial.
 
O que isso significa para os pacientes de mieloma? Significa que comer um bolinho ou uma bola extra de sorvete pode não ser a melhor escolha para sua saúde em geral, mas não vai ter impacto importante no mieloma. Entretanto, é muito  importante alimentar-se bem, e o livro REGRAS DA COMIDA: UM MANUAL DA SABEDORIA ALIMENTAR, de Michael Pollan é um guia excelente. Coma “comida de verdade” e “não coma nada que sua avó não reconheceria”. (Regra #1)
 
E o estresse? O estresse pode ser uma força muito destrutiva quando se trata do mieloma. O estresse pode realmente desequilibrar o sistema imunológico e o mieloma é um câncer do sistema imunológico. Além disso o hormônio do estresse, noradrenalina, pode realmente provocar diretamente o crescimento da célula de câncer. Embora isso não tenha sido demonstrado para as células de mieloma, já foi demonstrado para o câncer de pulmão e outros tipos de câncer. Hans Selve, um cientista húngaro que trabalhava em Montreal, no Canada, demonstrou que um “estado de alarme” crônico leva a um “estado de exaustão” que esgota o sistema imunológico.
 
Para um paciente recém diagnosticado com mieloma, pode parecer difícil reduzir o estresse é neste momento que a IMF entra para ajudar. Nossos programas de apoio e educação são feitos para aliviar parte do estresse, ajudando o paciente a entender seu tratamento,  reduzindo assim o medo e o alarme, levando esperança para ajudar você a seguir em frente de uma forma construtiva.
 
Então ser cauteloso com a sua ingestão de açúcar é tão igualmente importante quanto à redução do seu nível de estresse, para que você possa atingir os melhores resultados no seu tratamento do mieloma.