Notícias e Destaques Lenalidomida: Nota de Esclarecimento

ESCLARECIMENTO

Liberação da lenalidomida

O Estadão de 22/5 publicou matéria assinada pelo jornalista Jamil Chade, correspondente em Genebra, intitulada Agenda da Anvisa mostra lobby de parlamentares em favor de indústrias de saúde. No fecho, o jornal apresenta assertiva feita pelo diretor-presidente da Anvisa, sr. Dirceu Barbano, na qual declara: "A relação dele (parlamentar) com a empresa não é problema meu. É um problema ético dele". Meu nome é citado na reportagem como tendo pedido reunião e acompanhado a dra. Christine Battistini, da International Myeloma Foundation Latin America, para tratar de autorização do uso da lenalidomida no Brasil para tratamento do mieloma. Esclareço que de fato acompanhei a dra. Christine, munida de abaixo-assinado com mais de 22 mil assinaturas, com o pedido de estudo para aprovação da lenalidomida para tratamento do mieloma múltiplo, um tipo de câncer que ataca a medula óssea. Fruto de solicitação do próprio presidente da Anvisa, feita durante a audiência, foi encaminhado relatório técnico favorável à adoção imediata do medicamento, realizado pela professora dra. Vânia T. de Moraes Hungria, de Hematologia e Oncologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e diretora técnica e presidente da Comissão Científica da International Myeloma Foundation Latin America. Médicos e pesquisadores em vários países afirmam que a combinação de várias drogas, entre elas a lenalidomida - já aprovada e utilizada na América do Norte desde junho de 2006 e nos mais diversos países da Europa, bem como na América Latina -, é a melhor estratégia encontrada, com resultados bastante satisfatórios, para o tratamento do mieloma múltiplo. No Brasil, os pacientes ricos conseguem importar o medicamento para tratamento do câncer de medula óssea, mas as pessoas pobres não têm acesso a esse tipo de remédio de última geração, como declarado pela dra. Christine. De posse dessas informações, julguei conveniente apoiar a solicitação de liberação da lenalidomida no País. Em momento algum solicitei qualquer descumprimento de normas. A cartilha ética - de Platão a Foucault -, por certo seguida pelo presidente da Anvisa, é meu livro de cabeceira desde sempre. Tenho a convicção de que solicitar a atenção da Anvisa para que examine a possibilidade de autorizar a produção e/ou comercialização de produtos que possam curar ou diminuir o sofrimento de seres humanos constitui minha legítima função como senador da República.

EDUARDO MATARAZZO SUPLICY

esuplicy@senado.gov.br

São Paulo

Fonte: Estado de São Paulo

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24/05/2012