Notícias e Destaques Hospital de Campo Grane adota novo procedimento para pacientes com câncer.

 O diagnóstico de uma doença é impactante à vida do paciente, podendo se tornar um evento traumático em decorrência da gravidade que a enfermidade apresenta. Em Campo Grande, diante de uma realidade bastante difícil, o Hospital de Câncer Alfredo Abrão decidiu ser pioneiro na Capital ao adotar procedimentos conhecidos como “cuidados paliativos”.

Definidos em 2002, pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como abordagens ou tratamentos que melhorem a qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doenças que ameacem a continuidade da vida. Na prática, isso significa que há cerca de um mês, toda a equipe do HC vem passando por treinamentos que visam oferecer aos pacientes e suas famílias um atendimento humanizado, com cuidados que visam aplacar os sintomas de natureza física, social, emocional e espiritual.

A psicóloga Raquel Icassati e a enfermeira Thiana Trindade foram as responsáveis pela criação do treinamento. Segundo as profissionais, os cuidados paliativos alteram a rotina do hospital. “Não é algo que explicamos ao paciente, é uma mudança na maneira como ele é tratado. É uma humanização”, explica a enfermeira.

Segundo Raquel, o objetivo principal é oferecer ao paciente um tratamento digno que os valorize e aponte para as possibilidades que ele tem. “Em um hospital de câncer, temos contato com diversos pacientes, mas sempre existe o choque do diagnóstico”, explica a psicóloga, que desde fez seus primeiros treinamentos na área em 2002.

Outro ponto ressaltado pelas duas profissionais é a autonomia do paciente, um dos objetivos dos cuidados paliativos. “Os pacientes devem ser tratados de maneira séria e responsável. Eles precisam saber de suas possibilidades e dos riscos que correm”, explica Raquel.

Em casos terminais, ela explica, uma das formas de colocar isso em prática é o “testamento vital”. Nele, o paciente pode descrever a maneira como pretende ser tratado a medida que a doença se agrave, o que deve se esperar da família, e outras informações que digam respeito às privações que a doença pode trazer.

Para a aplicação dos trabalhos de cuidados paliativos é necessário que a equipe seja multidisciplinar. Ela deve ser composta, pelo menos, por um médico, uma enfermeira, uma psicóloga, uma assistente social, um profissional da área de reabilitação e alguém que possa ofereer apoio espiritual. Todos devem conhecer a filosofia que permeia a prática da paliação.
“O que existe é uma filosofia de tratamento, que acompanha o paciente do diagnóstico ao estágio final da doença”.

No Brasil
Embora tenha sido definida como a melhor abordagem dentro de hospitais em 2002, pela OMS, os hospitais brasileiros a implatarem a prática da paliação ainda são poucos. A referência nacional é o Instituto Nacional de Câncer (INCA), que começou a implantação em há seis anos.

Segundo Raquel, os cuidados paliativos exigem uma postura diferenciada de toda a equipe do hospital, o que pode dificultar o processo. “Os profissionais precisam acreditar na proposta”, explica. Experiências parecidas foram feitas em hospitais referenciais no Brasil, como o Hospital de Câncer AC Camargo, em São Paulo.

Segundo ela, em Campo Grande, o HC Alfredo Camargo é o primeiro hospital público da cidade a promover esse tipo de tratamento. “Também trabalho em uma clínica particular que oferece cuidados paliativos”, aponta.


Fonte: Correio do Estado

11/10/2013