Notícias e Destaques Espaço de Vida

Os quinze dias prometidos para a seqüência de nossa comunicação, a partir da data do nosso primeiro encontro, foram esticados um pouco mais por conta desta época que parece virar tudo de cabeça para baixo. Uma época que mexe no tempo de uma tal maneira que deixa as nossas agendas em polvorosa, nos acelera em uma pressa sem lógica e nos faz adicionar necessidades inexplicavelmente urgentes às nossas horas já comprometidas com o que é de rotina. A impressão que dá é de que alguma coisa de muito importante vai acontecer, de que alguma coisa vai mudar na virada do calendário e que nós precisamos nos organizar, nos preparar e nos maquiar para a festa que celebra a cerimônia de passagem.

As necessidades extras têm, oficialmente, data para começar (primeiro de dezembro), e data para terminar (primeiro de janeiro). Uma data é consagrada à homenagem de quem, há mais de 2000 anos, nos precedeu na esperança da vida em uma humanidade melhor; a outra data é consagrada à esperança da humanidade em uma vida melhor.

O ponto em comum em ambas as ocasiões, portanto, é a renovação de esperanças!

Tudo em nossas vidas envolve esperança. Seja qual for a natureza de nossas questões, somos alimentados pela esperança. Na saúde e na doença, somos movidos à esperança. Na saúde, a esperança é de mantê-la. Na doença, a esperança é de vencê-la. No entanto, quando estamos doentes, vivemos e evoluímos através de processos, de uma sucessão de fases que expressam a maneira como estamos nos sentindo, que refletem as nossas realidades emocionais. Começamos por uma fase de negação – “não é verdade, isto não está acontecendo comigo”. Frente à impossibilidade de continuarmos negando, passamos à fase da raiva – “por que eu, por que comigo?”. Acalmada a raiva, iniciamos as barganhas, caracterizadas pelas tantas promessas que fazemos condicionadas às nossas melhoras– “prometo que serei melhor se...; se eu sarar prometo que ...”. Desta fase, passamos à tão temida, quanto necessária, fase da depressão, a tristeza que se instala a partir do reconhecimento do inevitável. Mesmo sendo a fase mais difícil, mais pesada, ela é necessária porque, se ela for bem tolerada e assumida por nós e pelos que nos circundam, conseguiremos chegar à tão almejada fase de aceitação. Tão almejada, pois é a partir dela que nós conseguiremos retomar as rédeas de nossa vida, esteja ela do jeito que estiver.

No primeiro artigo, eu falei sobre ser a questão da probabilidade do tempo de vida o que talvez determine um diferencial entre quem joga e quem não joga com diagnóstico fechado, mas que, em nenhum dos casos existem certezas absolutas quanto a este tempo. Que as surpresas são freqüentes e que as exceções podem tornar-se a regra.

Retomo aqui este trecho para costurá-lo ao ponto comum existente entre as duas datas de festividades citadas no início deste artigo: esperança!

Considero que este é o fio precioso de luz que todos temos em nós. Todos, sem exceção, mesmo aqueles que pensam jamais tê-lo tido ou que o perderam ao longo do caminho. Acreditem, a questão é saber procurar, porque nós jamais perdemos este fio. É ele que nos sustenta, que nos alimenta quando tudo o mais está faltando. É ele que nos faz acordar e tocar nossa vida em frente. Este é o fio capaz de tecer as surpresas freqüentes e fazer as exceções tornarem-se regras. A esperança faz conexões com a recuperação da saúde de uma maneira que constatamos, mas que nem sempre explicamos. A esperança fortalece e nos confraterniza com o melhor de nossos sentimentos: o amor! Nós amamos, mesmo sem sujeitos. Nós temos esperança, mesmo sem entender de destinos.

Então, sem me esticar mais, o que eu quero hoje é compartilhar com vocês a minha esperança de que, se estes tempos de final de ano falam de esperanças em melhoras e expectativas de mudanças, que elas, as melhoras e as mudanças, se dêem dentro de nós.

As razões pelas quais abrimos este espaço podem ser hostis, mas sinalizam, sem dúvida, nosso desejo de poder, de alguma maneira, ajudar alguém, mesmo que seja emprestando a esse alguém as nossas esperanças de que dias melhores virão.

Um Feliz Natal a todos e que o ano de 2006 seja de muito aprendizado a todos nós. Aprendizado quanto a como tratar melhor a vida que temos e a vida que somos.

Do fundo de minha fé, fiquem com Deus!

Até a próxima.

Gláucia Telles Sales, dentre outras coisas, psicóloga.

Contato: espacodevida@myeloma.org.br

 

23/12/2005