Notícias e Destaques Encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica – ASCO – apresentou novidades para os pacientes de mieloma múltiplo

O principal encontro de oncologia e hematologia global aconteceu no último fim de semana de maio e discutiu as atualizações nos estudos clínicos para o tratamento do mieloma múltiplo

 

Os pacientes de mieloma múltiplo aguardaram ansiosamente os resultados dos estudos apresentados na ASCO 2020 para o tratamento do câncer da medula óssea. Quem comenta as novidades é o Dr. Ricardo Helman, Hematologista da BP, A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

 

International Myeloma Foundation Latin America (IMF Latin America): Quais são as principais novidades nos estudos clínicos para os pacientes de mieloma?

 

Dr. Ricardo Helman: As principais novidades apresentadas na ASCO 2020 foram as atualizações do estudo Stamina que avaliou a utilização da medicação lenalidomida no esquema de manutenção para os pacientes que realizaram transplante de medula óssea, que mostrou uma melhora importante no tempo de recaída. Outra novidade foram os resultados dos estudos ENDURANCE que comparou os esquemas carfilzomibe lenalidomida e dexametasona comparado com esquema com bortezomibe lenalidomida e dexametasona na primeira linha de tratamento, que mostrou que não houve melhora nos resultados de primeira linha. Finalmente, houve o estudo BOSTON que avaliou a utilização do selinexor na primeira linha de tratamento, que mostrou bons resultados, sendo uma nova opção terapêutica em um futuro próximo.

 

IMF Latin America: O que foi abordado sobre o tratamento de primeira linha para os pacientes de mieloma múltiplo?

 

Dr. Ricardo Helman: O que mais chamou a atenção foi estudo ENDURANCE que comparou os esquemas KRD (carfilzomibe X bortezomibe) no tratamento de primeira linha e surpreendentemente não mostrou superioridade nas taxas sobrevida livre de progressão. Para nossos pacientes o tratamento padrão continua sendo os esquemas baseados em bortezomibe associado a lenalidomida e dexametasona.

 

IMF Latin America: Sobre o mieloma indolente, há algum estudo clínico que foi abordado no encontro da ASCO?

 

Dr. Ricardo Helman: Para os paciente com mieloma indolente risco ultra alto, que são aqueles pacientes que ainda não apresentam sintomas clínicos, mas que apresentam altíssimo risco de progressão para mieloma sintomático em menos de 2 anos, foi apresentado o GEM-CESAR trial, no qual os pacientes foram tratados com esquema de indução com carfilzomibe lenalidomida e dexametasona, seguido de auto transplante de medula óssea e depois com dois ciclos de consolidação com KRD. As taxas de respostas completas com doença residual mínima negativa pós consolidação foi de 100% dos casos, agora é ver no acompanhamento se esses pacientes serão mesmo curados com essa terapia. Embora ainda não seja o padrão, o tratamento dos pacientes com mieloma sem sintomas clínicos, os resultados apresentados na ASCO 2020 mostraram que num futuro próximo a nossa conduta pode mudar nesse grupo de paciente.

 

IMF Latin America: Para os pacientes que fizeram TMO, o encontro da ASCO trouxe alguma novidade nos estudos que estão andamento para o pós TMO?

 

Dr. Ricardo Helman: Para os pacientes submetidos a auto TMO os dados mais importantes foram os resultados de seguimento do estudo STAMINA que mostrou que os pacientes de alto risco citogenético, aqueles pacientes que apresentam pior prognóstico, se beneficiam realmente do transplante duplo e que a manutenção pós transplante prolongada com lenalidomida diminui o risco de progressão de doença.

Outro estudo interessante foram os resultados do estudo TOURMALINE-MM4 que utilizou a manutenção de tratamento no pós TMO com ixazomibe e mostrou redução no risco de progressão de 34% comparado com placebo. Esses resultados nos mostram que a terapia contínua, com manutenção prolongada pós transplante deve ser o novo standard of care nos pacientes com mieloma múltiplo.

 

IMF Latin America: No encontro da ASCO 2020, foi abordado algum tema para o tratamento dos pacientes recidivados? O que isso difere dos tratamentos atuais?

 

Dr. Ricardo Helman: Para os pacientes recidivados, as principais novidades foram os resultados do BOSTON trial que foi um estudo randomizado fase 3 com utilização do SELINEXOR que mostrou ser pouco tóxico e sendo uma ótima opção para a terapia de resgate para os pacientes que já receberam pelo menos três linhas de tratamento prévio.

Foram apresentados também os novos anticorpos bi-específicos anti BCMA e CD3, teclistamab que apresentou taxa de resposta de 78% de resposta global. Os resultados de alguns estudos pequenos, porém muito promissores com CART Cell, que parece ser o futuro do tratamento de mieloma refratário, uma alternativa para nossos pacientes que já foram submetidos a várias linhas de tratamento.

 

IMF Latin America: O que é o ENDURANCE, que foi abordado no congresso da ASCO e o que pode trazer de benefício para os pacientes de mieloma múltiplo?

 

Dr. Ricardo Helman: O estudo ENDURANCE foi um estudo que comparou o tratamento de primeira linha do esquema padrão VRD que utiliza bortezomibe com lenalidomida e dexametasona versus o esquema KRD que utiliza o carfilzomibe, inibidor de proteassome de segunda geração. Os resultados mostraram que a sobrevida livre de progressão foi igual nos dois braços, com menos toxicidade para o esquema VRD. Os autores sugerem que o esquema VRD continue sendo considerado o esquema padrão de tratamento na primeira linha.

 

 

Alguns estudos foram comentados com mais profundidade pela co-fundadora da International Myeloma Foundation Latin America, e Médica Hematologista da Clínica São Germano Dra. Vania Hungria. As análises foram comentadas na LIVE que aconteceu na sexta-feira, dia 05/06, nas páginas da IMF Latin America. Inclusive o tratamento imunoterápico chamado CART Cell.

 

Para conhecer mais, você pode acessar o Canal do Youtube para acompanhar os comentários da Dra. Vania Hungria:

 

Link do Canal do Youtube: https://youtube.com/TheIMFLatinAmerica

Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=JSUyoJ0Zrjc