Notícias e Destaques TMO: Conheça a trajetória do paciente de mieloma até o transplante de medula óssea

 

O paciente de mieloma múltiplo Bruno May realizou o Transplante de Medula Óssea e conta sua experiência para a IMF Latin America

Por Ingrid Oliveira

 

Muitas pessoas, diagnosticadas com mieloma múltiplo temem o chamado “TMO” para os íntimos, ou transplante de células-tronco para quem é paciente há pouco tempo Esse termo é apresentado inicialmente pelo médico, e logo começam as buscas incessáveis na internet: “o que é transplante autólogo?”, “é perigoso fazer o transplante da medula óssea?”.

 

O TMO -  Transplante de medula óssea autólogo é aquele no qual as células da medula óssea são retiradas do próprio indivíduo transplantado (receptor).

 

A verdade é que desde o diagnóstico do mieloma, muitas incertezas cercam a vida do paciente. E uma delas é se será elegível ou não para o tratamento. Nem sempre os pacientes serão elegíveis ao TMO, ou seja, dependendo do estágio do mieloma, das condições físicas do paciente ou outros fatores, o paciente não irá realizar o transplante de medula óssea como forma de tratamento. Por isso é importante a conversa com o especialista que acompanha o caso para entender todas as opções de tratamento e quais as chances de fazer o TMO.

 

Entretanto, se você for um paciente elegível, é sempre importante saber que o TMO faz parte do tratamento. E se essa for a melhor opção de terapia, você ainda temeria?

 

Foi exatamente isso que aconteceu com o Bruno May, diagnosticado com mieloma múltiplo em 2017. Ele prontamente entendeu que o TMO seria apenas uma parte do seu tratamento e que naquele momento era tudo ou nada.

 

Bruno tem 40 anos, mora em Santo André – SP. Em dezembro de 2017, a vida dele mudou completamente. Após duas fraturas ósseas no período de uma semana, ele descobriu o mieloma múltiplo e de imediato já deu início ao tratamento. Sua maior preocupação naquele momento não era o TMO, eram as dores constantes:

 

“Logo na primeira consulta com a Dra. Prisclla Cury e Dra. Vania Hungria,(Médicas hematologistas da Clínica São Germano) fui apresentado ao tratamento e entendi que o TMO seria somente uma parte do processo de tratamento. Mas estava mais preocupado com as dores insuportáveis do que com o procedimento do TMO naquele momento”, comenta Bruno.

 

Mas nem sempre é assim. Bruno é uma das exceções do mieloma, ele está fora do chamado “fator de risco” por ter menos de 60 anos. Ele conta que tudo foi bem corrido, após quatro ciclos de tratamento para o mieloma, ele já foi encaminhado para um especialista em transplante:

              “O processo foi muito rápido, pois durante os 4 ciclos de tratamento, já passei por consulta com o médico especialista no transplante, Dr. Ricardo Chiattone, que me deixou ainda mais tranquilo e após o quarto ciclo da medicação, comecei imediatamente os procedimentos para o transplante”

 

Cada paciente lida com a informação de que irá realizar um transplante de uma forma, afinal é uma cirurgia. Há medos, dúvidas e incertezas. Porém, Bruno nunca cogitou “não fazer o tratamento”:

 

                “Sabendo que seria parte do tratamento e que o TMO poderia ser uma opção para remissão prolongada, o “não fazer” nunca foi cogitado”.

 

É comum que durante o período de preparação para o transplante da medula óssea, o paciente sinta desconforto, incerteza e fique cheio de perguntas. É nessa parte que entra a importância dos médicos. São eles quem vão sanar todas as dúvidas, dar amparo e tirar todo o medo do paciente:

 

                “Sempre estive muitíssimo bem amparado por toda a equipe médica que me assiste. Todos os médicos sempre foram muito claros quanto a todos os detalhes, inclusive toda a equipe do Hospital Samaritano, onde fiz o TMO, sempre muito acolhedora e disponível para esclarecer qualquer dúvida que eu tivesse e da forma mais simples, clara e objetiva possível”.

 

E é claro que Bruno não enfrentaria esse processo sozinho. Além da equipe médica que passou toda segurança e o amparou com informações, ele contou com todo o apoio da família.

 

“Não só no processo, mas na VIDA! Desde o princípio, sempre encarei tudo com muita tranquilidade e paz, pois desde o dia da segunda fratura óssea, que me levou à investigação e conclusão do diagnóstico de Mieloma, minha família esteve 100% do tempo ao meu lado, me ajudando em tudo, me apoiando, mas principalmente, cuidando de mim. Sem a família, não sei se teria sido tão fácil passar por este processo com a serenidade e a paz que passei”.

 

Depois do TMO, finalmente Bruno pôde sentir o que todos os pacientes querem sentir, a certeza de que o transplante deu certo e que seu tratamento estava progredindo:


          Eu nunca pensei que não daria certo, desde o início do tratamento entendi que cada paciente tem um organismo diferente e pelo Mieloma não ser uma doença curável, o resultado do tratamento varia muito de paciente para paciente, existem pacientes que não entram em remissão, outros com o mesmo protocolo conseguem remissão por muitos anos”.

 

É importante e necessário saber que nem todos os pacientes têm todo suporte ou apoio necessário; seja da família ou da equipe médica. O trabalho na busca de informações é contínuo e deve ser essencial para acompanhar de perto e entender todos os procedimentos. Bruno May é um exemplo de luta, persistência, coragem e superação. Entretanto, lembre-se de que está tudo bem sentir medo e insegurança. É normal sentir-se preocupado com os resultados. O que não pode ocorrer é deixar esse medo te impedir de procurar ajuda, tanto física quanto mental.

 

E depois do TMO se o mieloma ainda persistir? Ter medo? Abandoar o tratamento? De maneira alguma! Bruno May passou por esse processo e ainda passa. O mieloma é uma batalha diária, e a melhor parte é que cada luta é uma vitória diferente:

 

 Tive minha primeira recidiva no final de 2019. Desde o diagnóstico, entendi muito bem que o mieloma não é uma doença curável (ainda) mas que existem diversas linhas de tratamento e que eu trataria a doença pelo resto da vida. Entendo que, assim como a medicação e o TMO são partes do processo, a recidiva também faz parte e ela surgindo, o tratamento deverá ser reiniciado”, diz Bruno.

 

Pacientes bem informados têm mais segurança. Você que leu esse texto até aqui e vai realizar um TMO, você não deve desistir ou sentir medo. Essa é a mensagem que o Bruno May, que já realizou o transplante da medula óssea e teve uma recidiva no final de 2019, deixa para você:

 

      “Os pacientes devem perguntar mais aos seus médicos e entender melhor cada fase do tratamento, pois muitos vão ao TMO pensando que o procedimento é a cura da doença e temos que ter ciência de que ainda não é a cura, mas que o TMO é uma das partes importantíssimas do processo de tratamento, que com ele, o paciente pode ter uma remissão muito longa e às vezes ficar até muitos e muitos anos sem qualquer medicação para o Mieloma”.

 

Converse com seu médico, entenda se você é elegível ou não para o TMO, se ele se encaixa nas suas opções de tratamento. Tire TODAS suas dúvidas durante esse processo. Qualquer e toda informação que você quiser saber é necessária para te passar segurança. O TMO é apenas uma fase e você precisa ser resiliente para superar cada desafio que a vida te dá.